São quatro os meses que passam sem letras por aqui. Muita coisa aconteceu - muita mesmo - e isso é engraçado, porque sempre tão inconformada do tédio da vida e assim mesmo tão exausta das mudanças, continuo mudando. É claro, a vida só se vale na contradição.
Em um terço de ano:
- Saí do meu emprego, iniciei uma carreira mais firme como astróloga e é disso que vivo, além da bolsa de estágio como tradutora de extensão na universidade;
- Catalina saiu de casa, para São Paulo e depois Portugal, e Bruno mudou-se para cá;
- Tive uma briga catastróficas dessas com o Wallace, que espero ser a última;
- Parei a terapia e voltei
- Comprei uma rede de descanso e uma cadeira de escritório de 500 reais
- Fiz minha primeira tatuagem;
- O isolamento social foi flexibilizado em um nível que é aceitável ir à praia ou viajar de avião;
- Conheci um rapaz, pelo qual estou encantada, mas está num relacionamento aberto
- Talvez vá para São Paulo, depois de 10 meses.
Com tanta coisa acontecendo, obviamente, não estaria aqui escrevendo. A escrita é um lugar para mim de contemplação e organização das ideias e excessos de eventos impossibilitam minha organização mental. Quando caio no ostracismo e na procrastinação, tento por meio da extensão do meu cérebro teclar ordinárias linhas de algodão. Vejamos.
Li os textos passados e me dei conta do quanto me curei. Não estou exausta e isso me faz falta. Estou insegura, mas não tanto. Sinto-me feliz e encaminhada, para um lugar melhor do que eu estava. Tudo acabou que dando certo e isso é uma alegria sem tamanho, da qual eu deveria todos os dias agradecer.
Sinto falta do ambiente universitário e de sentir tesão. Sinto que o mundo é um esvaziar-encher canecas amornando o chá-ntagear de escolhas tomadas antes da ceia, em jejum de risco. Hoje tenho obrigações que não são urgentes, leituras que podem ser feitas a qualquer hora e a autonomia de ser dona de mim e de meu espaço e quereres. Posso ir e vir, já não há uma prisão conclamada de fora, mas de dentro. O problema sempre está no dentro, senhoras e senhores, pois a roxura brilhosa da casca de berinjela nem sempre dá sinal de que há bicho tromba em seu miolo. Assim é a gente.
Pensava que a escrita fosse um processo cartático para mim, mas nem sempre. Sinto falta da troca, dos olhares, da fala de todas as gentes. Todas as pessoas são um mundo e eu só queria pegar passagem e dar a volta nele. Sinto falta de sentir muito e isso é um problema.
Tenho vício do excesso, seja lá se isso é uma redundância. Queria tomar de canudinho o amor e o cérebro das pessoas. Sinto falta. Tenho que administrar essa dualidade de sempre colocar as coisas numa questão ou prática e ordinária ou extremamente importantes, urgentes e apaixonantes.
Não quero mais escrever, talvez volte.