Sinto minhas têmporas rígidas e a frente da testa dolorida. O mundo, rápida e dolorosamente, cai. O que era bonito ontem, hoje não é mais, e a lunação do touro, oposta a escorpianice da minha, tratou com peso o passo por essas bandas.
O dia não foi bom.
Voltar ao trabalho é sempre penoso: uma parte de mim até gosta, a outra, odeia. Ou seja, o lado profissional-exausta acha o máximo; o lado comunista-anarquista-veganista e qualquer outra causa que eu apoie ou pense em apoiar, não.
Menstruação, cólica, dor de cabeça, ansiedade, raiva, desgosto, impaciência. Privada entupida, internet que cai, meta para cumprir. É um turbilhão que vem como vômito e só vai.
Disseram que a palestra foi boa, que eu sou engraçada, meu cabelo é bonito, e essas coisas que as pessoas dizem porque te amam e querem te ver feliz. Eu só me senti uma grande babaca, com uma papada surreal para a idade e sendo humilhada pelo conhecimento estupendo de uma menina de 22 anos, que é coordenadora pedagógica de uma empresa, professora de colégio classe A, pesquisadora no Mestrado, é noiva e ainda por cima tem tempo para escrever no LinkedIn. Porém, diz que vai vestir camiseta da Rosa Luxemburgo e logo depois cita que um modelo bom de educação para acompanharmos é o High School americano. Amada?
Enfim, depois desse pequeno-colapso-nervoso, comi um pão de queijo e chocolate (hoje zero inspirações para a cozinha). Zeus, todo poderoso, catasterize o molho de mostarda holandês! É com muita dor que digo que é um molho melhor do que o ketchup.
Voltando... Antes de dormir e escrever aqui, tentei assistir algo. Comecei com um filme do diretor do Donnie Darko de algum ciberfuturismo, que agora é bem real, e achei um saco. Troquei para "A Casa e o Mundo", indiano dos anos 80, adaptação de um romance autobriográfico de Tagore, contextualizado na divisão da Bengala e a luta contra a dominação do ocidente (resumindo bem toscamente). Tagore era muito bonito, aliás. Os olhos penetrantes, o nariz protuberante... Não sei se isso é reflexo da quarentena... Bem, o filme é bem interessante, mas não consegui terminar os trinta minutos que restam pela cabeça latejante. Quem sabe amanhã.
Ah, ontem assisti um ótimo, chamado Mr Klein. Quis abrir o computador só para escrever sobre as minhas impressões, mas já eram 2h da manhã. Aliás, tive insônia, (o que pode ser a resposta para essa dor de cabeça e todo o meu mal humor de hoje) e rememorei TCHARAN e-mails que eu não havia apagado daquele ex. Descobri até nudes minhas fotografadas pelo dito cujo. Li tickets, passagens, depósitos e preocupações cheias de "oi amorzinho te amo demais" que me bateram como rajada de trovão e depois sopro. Ou o inverso. Não sei, enfim, não foi lá tão bom, nem tão ruim.
Vejo, pelas minhas conclusões super interessantes em cada parágrafo, que já estou muito puta em estar tanto tempo acordada. Decidi que vou dormir. Tomar chá de camomila e escrever aqui melhorou um pouco a dor da cabeça.Vejamos amanhã.