quinta-feira, 23 de abril de 2020

Escuridão

Desliguei o computador antes de escrever aqui, mas me obriguei a digitar pelo celular os pensamentos que havia guardado até agora e que conjecturei, principalmente, no banho.
Por estar digitando pelo celular, obviamente essa postagem será mais curta, menos paciente e mais objetiva.

Tenho me sentido feia. Feia mesmo, de não querer olhar a minha própria cara no espelho, de achar que nem com maquiagem e laquê me resolvo, feia de colocar qualquer roupa que antes eu gostava muito e me sentir horrenda. E isso faz parte do me achar gorda. Engordei por conta do isolamento, mas não o suficiente pra ter mudado de forma extrema a minha aparência anterior. E me sentir feia, sabendo  disso, me deixou ainda pior.

Percebo um movimento repetitivo, de quando morava com meu ex e eu estava desempregada e aguardava o início do semestre letivo, ou seja, não fazia absolutamente nada por meses. Lembro de cada dia como se fosse ontem: emoções à flor da pele, isolamento do outro e cansaço de tanto fazer nada. Tudo isso se repete, com a exceção de que ando com muito trabalho. Não quero conversar, tenho dificuldade de ouvir e de falar, de gesticular, como se quisesse poupar toda minha energia pra algo maior que eu não sei o que é.

Pensei em coisas mais interessantes no banho do que consigo lembrar agora. Seria interessante que eu anotasse esses pensamentos de algum jeito. Com os fios de cabelo que caem ao lavar e grudar no vidro do box, não sei.

Lembrei de um, muito importante: sinto que me aproximo de pessoas sombrias e com autoestima baixa e problemas muito grandes e complicados para serem solucionados. Resumindo: pessoas eternamente insatisfeitas, que não fazem nada - ou fazem e re/declamam - que fazem tudo e mais um pouco e que, mesmo assim, ó injustiça, o mundo me odeia.
Sinto atração por essas complexidades, mas vejo que as busco de uma maneira errada. Essas pessoas me enfadonham a maior parte das vezes, vejo muita arrogância e soberba nelas, e um constante cansaço e reviravolta de olhos reverbera em mim como leite fervido a ponto de sujar a boca do fogão.
Sinto, também, que preciso me afastar dessas pessoas, que às vezes parecem me levar para um mundo escuro que não tem volta. Eu já o vivenciei e não quero mais. Contudo, amo essas pessoas por suas particularidades, e é difícil não admirar pessoas tão inteligentes. Mas acho que sou egoísta: o bom do outro é o que ele te oferece e, por ouvi-los, me sinto mais inteligente também, parte de um clã ou coisa do tipo. Porém, quando os reprovo por suas vaidades, afasto só aquilo que não me toca.
Será que sou vaidosa o mesmo tanto e acho que minha humildade é uma característica rara e essencialmente nobre?

Não sei. O que eu deveria fazer?


Disse que iá escrever pouco pelo celular, mas olha aí no que deu.

Fechei a postagem e voltei para editar com uma informação importante:
2 colherea de sopa de leite condensado
3 colheres de sopa de leite de coco
1 colher de sopa de cacau, ao invés do achocolatado usado
1 pitada de cravo em pó
1 pitada de canela em pó
Coloque numa leiteira em fogo alto e mexa até ferver. Depois, fogo médio e mexa mais uns 3 min. Coloque na caneca e beba um chocolate quente bom.