Já são 4 os dias que não apareço por aqui.
O que lembro dos dias passados: conversar muito ao telefone e por videoconferência, comer brigadeiro, guacamole e tomar cachaça, acordar bêbada e com dor de cabeça no próprio quarto.
A convivência é um rasgo todos os dias, mas me sinto plena o suficiente com as minhas próprias atitudes para saber que está tudo bem o conflito, está tudo bem não ouvir um bom dia de volta, está tudo bem tudo. Desde o dia que resolvi que o meu foco era meu trabalho e o meu dinheiro, os dias passam rápido e eu nem rezo para que o isolamento acabe, nem penso nele. Penso no agora, no que posso facilitar para a minha sanidade mental e para a sanidade mental dos outros. Não mudo minhas posturas além do que os outros parecem ou querem permitir. Correspondo naturalmente a tudo o que me atravessa, sem piscar. Talvez antes eu sentisse medo, arrependimento, covardia. Hoje não, não dessa vez.
Esse não é o meu primeiro isolamento social. Lembro-me bem quando fiquei meses sem um trabalho, sem estudar, vivendo em prol de uma casa que dividia com mais três homens, um que eu conhecia e passei a odiar, outros dois que não sabia quem eram, em uma cidade desconhecida, sem nenhum vínculo.
Eu criei resistência em tantos modos e jeitos possíveis que sinto, sinceramente, que pouca coisa pode me abalar. Policio-me, sempre, sempre, para não machucar, não lançar a palavra que corta, não dificultar os gestos ao outro, porque isso dói também em mim. Vivo condizendo, creio e quase acho, com o que acredito. E espero que eu não seja modesta e autoindulgente demais. Talvez eu seja e na verdade todo esse texto é uma grande covardia de minha parte de ser escrito e eu preciso do mínimo de aprovação para aceitar as patifarias que eu esteja fazendo. Talvez...
Mas entre altos e baixos, o saldo positivo foi ter concluído um manual de aplicação EaD, em parceria com minha querida chefinha, e um curry de manga com grão de bico e espinafre mais-do-que-perfeito (para fazer jus à minha graduação)!
Desci para levar o lixo e o céu estava tão, tão estrelado! Aquela lua crescente no caranguejo beijando minha bochecha.... Dava para ver Antares, o Cruzeiro, claro, Vênus, Marte, um tanto de belezura. O sereno fresquinho de uma chegada de inverno.... Que saudade, que saudade! Pensei e olhei e respirei e sorri, porque sei que isso tudo vai passar tão rápido, tão sereno, e que ao abrir a porta e amar quem é que esteja do outro lado, será um presente e tanto!
Sinceramente e com pouca modéstia, mesmo, estou impressionada com o meu equilíbrio emocional, físico e mental. Orgulhosa que, há meses atrás, estaria reclamando de tanta coisa fútil e inútil e agora aprendi a respirar e não reclamar. Percebi uma coisa importante: quanto menos compartilho com os outros, menos sinto necessidade de achar algo ruim. Parece que o diálogo com certas pessoas instiga um "vamos ver quem está mais cansado e quem sofre mais". Écati, cansei. Só quero dizer "hoje o dia foi cheio! e o teu?" e falar de coisas do mundo, dar beijinho na checha e a mimir.
Aliás, farei isso agora.