Realmente não sou boa com prazos, metas e datas.
Há uma semana não venho aqui.
Não tenho muita vontade de falar, nem de escrever. Estou totalmente sem energia, apática. Choro o tempo todo e a vontade de não existir é bem das grandes.
Penso: preciso ligar para minha mãe. Ligo, dou atenção, acho graça, prometo coisas, desligo e choro.
A mesma coisa com minhas irmãs e meus amigos.
As pessoas em casa não me dão ânimo, não quero olhar para elas.
Não sei se estou cansada de uma situação específica, uma pessoa específica ou se da vida. Esse sentimento de não se sentir pertencente a nada, não gostar de nada, não sentir sabor em nada, não querer falar nada, apareceu há 3 meses atrás, quando eu me sentia exausta pelo trabalho + faculdade. Agora me sinto exausta pelo trabalho+casa. Acho que ando exausta e, por isso, sem energia. Mas ando chateada, também.
Mulheres são socializadas para servir, perdoar, relevar, fazer agrados. Com o abrir dos olhos que o feminismo nos traz, não necessariamente paramos de fazer isso, mas cobramos que as pessoas façam de volta ou pelo menos reconheçam. E elas não são obrigadas. Elas não querem agradecer. Se você opta por não fazer mais, você mudou, você está triste, você não é mais a mesma. Mas, se você realmente se identifica com o ato de servir e de ser doce, independentemente do que os outros pensam, isso é bondade ou domesticação patriarcal? Fica aí a reflexão.
Sinto como se estivesse mudando, mudando muito, mas essa mudança é desregulada, crescente em espiral convulsivo, sem precedentes e sem caminho definido. Como uma mutação genética, um braço maior que o outro, dentro de um outro corpo que só está imóvel e estranhado. Acho que só preciso esperar.